Regulamento Brasileiro da Aviação Civil

RBAC 120: guia completo da norma da ANAC

Entenda o que é o RBAC 120, quem está sujeito à norma, o que são ARSO e PPSP, como funcionam os treinamentos, os exames toxicológicos e quais são as principais obrigações das empresas da aviação civil.

Conteúdo atualizado: informações baseadas no RBAC nº 120 — Emenda nº 04 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Profissional da aviação civil realizando inspeção em aeronave em área operacional aeroportuária
Entenda a regulamentação

O que é o RBAC 120?

Resposta rápida

O RBAC 120 é o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil da ANAC que estabelece requisitos para a prevenção do risco associado ao uso indevido de substâncias psicoativas na aviação civil, especialmente em atividades que podem afetar a segurança das operações aéreas.

A norma estabelece responsabilidades para empresas e profissionais que desempenham Atividades de Risco à Segurança Operacional na Aviação Civil (ARSO), criando mecanismos de prevenção, educação, controle e resposta relacionados ao uso indevido de substâncias psicoativas.

Um dos principais instrumentos previstos pelo regulamento é o Programa de Prevenção do Risco Associado ao Uso Indevido de Substâncias Psicoativas (PPSP). Esse programa deve reunir procedimentos de educação, realização de exames toxicológicos e resposta a situações que possam impedir temporariamente um profissional de desempenhar uma ARSO.

Profissionais da aviação civil em atividade operacional aeroportuária relacionada à segurança operacional e ao RBAC 120
Em resumo
  • É um regulamento da ANAC.
  • Trata da prevenção relacionada ao uso indevido de substâncias psicoativas.
  • Abrange atividades classificadas como ARSO.
  • Estabelece requisitos para o PPSP.
  • Prevê educação, exames toxicológicos e resposta a eventos impeditivos.
Conceitos do RBAC 120

O que significa ARSO?

Profissional realizando abastecimento de aeronave em atividade operacional da aviação civil
Significado da sigla

ARSO significa Atividade de Risco à Segurança Operacional na Aviação Civil.

No RBAC 120, a sigla ARSO é utilizada para identificar atividades profissionais que, por sua natureza, podem produzir consequências relevantes para a segurança operacional da aviação civil.

Por esse motivo, os profissionais que exercem essas atividades estão sujeitos a requisitos específicos previstos no regulamento, incluindo medidas relacionadas à prevenção do uso indevido de substâncias psicoativas.

Atenção à definição

ARSO não é o nome de um cargo ou de um agente. A sigla identifica uma atividade de risco. O profissional que desempenha uma dessas atividades é denominado pelo regulamento como empregado ARSO.

O que é um empregado ARSO?

É o empregado que desempenha uma Atividade de Risco à Segurança Operacional na Aviação Civil e, por essa razão, deve observar os requisitos aplicáveis previstos no RBAC 120 e no Programa de Prevenção do Risco Associado ao Uso Indevido de Substâncias Psicoativas (PPSP).

Aplicabilidade da norma

Quem está sujeito ao RBAC 120?

O RBAC 120 alcança pessoas que desempenham Atividades de Risco à Segurança Operacional na Aviação Civil (ARSO) vinculadas às organizações abrangidas pela seção 120.1 do regulamento.

Em termos práticos

A norma envolve os empregados ARSO e seus supervisores vinculados às organizações abrangidas pelo RBAC 120 e pode alcançar também profissionais de empresas contratadas ou terceirizadas quando executam atividades classificadas como ARSO.

01

Exploradores de serviços aéreos

Empresas certificadas ou autorizadas segundo a regulamentação da ANAC relativa a empresas de transporte aéreo e a Serviços Aéreos Especializados (SAE).

02

Organizações de manutenção RBAC 145

Detentores de certificados segundo o RBAC 145, localizados em território brasileiro, que aprovem para retorno ao serviço aeronaves envolvidas em operações regidas pelo RBAC 121 ou RBAC 135.

03

Operadores de aeródromos

Operadores de aeródromos classificados como Classe III ou Classe IV, conforme os critérios estabelecidos pelo RBAC 153.

Empresas contratadas

O RBAC 120 também pode alcançar trabalhadores terceirizados

As organizações abrangidas pela norma devem cumprir e fazer cumprir os requisitos do RBAC 120 por seus empregados e também pelos empregados de empresas contratadas, direta ou indiretamente, quando esses profissionais desempenharem uma atividade classificada como ARSO.

Dessa forma, não é apenas o vínculo empregatício direto que determina a aplicação dos requisitos: é fundamental verificar qual atividade o profissional efetivamente desempenha.

Profissionais da aviação civil trabalhando na movimentação de bagagens em área operacional aeroportuária
Importante: estar vinculado a uma empresa do setor aéreo, por si só, não significa necessariamente que toda função seja uma ARSO. É preciso verificar se a atividade desempenhada está entre aquelas classificadas pelo próprio RBAC 120 como atividade de risco à segurança operacional. No próximo bloco, veremos quais são essas atividades.
Atividades de risco

Quais atividades são consideradas ARSO?

O próprio RBAC 120 estabelece quais atividades são consideradas Atividades de Risco à Segurança Operacional na Aviação Civil (ARSO). A classificação depende da atividade efetivamente desempenhada pelo profissional e das condições previstas no regulamento.

De acordo com a seção 120.1(b) do RBAC 120, são consideradas ARSO as atividades relacionadas a seguir.

01

Cálculo e acompanhamento do voo

Cálculo das posições de carga, bagagem, passageiros e combustível em aeronaves operadas sob o RBAC 121, além do acompanhamento do progresso do respectivo voo.

02

Manutenção de produtos aeronáuticos

Manutenção, manutenção preventiva ou alteração de produtos aeronáuticos.

03

Inspeção e certificação de manutenção

Inspeção e certificação da manutenção realizada em um produto aeronáutico.

04

Abastecimento de aeronaves

Abastecimento de aeronaves operadas sob o RBAC 121 em área operacional não edificada, incluindo sua supervisão e a manutenção dos veículos utilizados nessa atividade.

05

Inspeção de segurança da aviação civil

Inspeções de segurança contra atos de interferência ilícita aplicadas a pessoas, objetos, áreas ou aeronaves nos casos previstos pelo RBAC 108.

06

Atividades da tripulação

Atividades realizadas por um membro da tripulação de uma aeronave.

07

Carregamento e descarregamento

Carregamento e descarregamento de bagagem e carga em aeronaves operadas sob o RBAC 121, incluindo abertura e fechamento de portas, supervisão e operação dos veículos e equipamentos utilizados.

08

Sinalização e marshalling

Sinalização para estacionamento da aeronave ou sua orientação durante a movimentação, atividade conhecida como marshalling.

09

Fiscalização de pátio

Atividades desempenhadas por fiscais de pátio, incluindo as funções equivalentes previstas na regulamentação.

10

Condução de veículos e equipamentos

Condução de veículos ou operação de equipamentos por profissionais com credencial aeroportuária permanente que atuem na área operacional, nas situações previstas pelo regulamento.

11

Varredura contra objetos estranhos

Atividades de varredura contra objetos estranhos em área operacional não edificada quando prestadas a operadores sob o RBAC 121.

12

Calço de aeronaves

Colocação ou retirada de calços de aeronaves que operem sob o RBAC 121, quando realizada em área operacional não edificada.

13

Controle operacional de aeronaves

Exercício do controle operacional de aeronaves em operações realizadas sob o RBAC 121.

Importante

Nem todo profissional que trabalha em um aeroporto ou em uma empresa de aviação é automaticamente um empregado ARSO. A classificação está relacionada à atividade efetivamente desempenhada e às condições estabelecidas na seção 120.1 do RBAC 120. Assistentes, ajudantes e profissionais em treinamento também podem ser considerados empregados ARSO quando desempenham essas atividades.

Programa obrigatório

O que é PPSP?

O PPSP é um dos elementos centrais do RBAC 120 e organiza as medidas que devem ser adotadas para prevenir e responder aos riscos associados ao uso indevido de substâncias psicoativas por profissionais que desempenham atividades ARSO.

Resposta rápida

PPSP significa Programa de Prevenção do Risco Associado ao Uso Indevido de Substâncias Psicoativas na Aviação Civil. As empresas abrangidas pelo RBAC 120 devem elaborar, executar e manter esse programa e seus respectivos subprogramas.

O PPSP estabelece a estrutura pela qual a empresa organiza suas ações de prevenção relacionadas ao uso indevido de substâncias psicoativas entre profissionais que desempenham Atividades de Risco à Segurança Operacional na Aviação Civil (ARSO).

De acordo com o RBAC 120, a empresa responsável deve submeter cada empregado ARSO e seus supervisores aos requisitos do programa, observando as regras aplicáveis a cada situação.

Quando uma empresa é contratada para executar uma ARSO, seus empregados ARSO e supervisores devem estar abrangidos pelo seu próprio PPSP ou pelo PPSP da empresa responsável contratante, conforme as condições previstas no regulamento.

Dessa forma, o PPSP não é apenas um documento formal. Ele representa um conjunto de procedimentos que precisa ser implementado, mantido e aplicado na prática pelas organizações sujeitas ao RBAC 120.

Importante: o PPSP deve conter, no mínimo, três subprogramas específicos. No próximo bloco deste guia veremos quais são esses três componentes e qual é a função de cada um.
Prevent Corp | Implantação e revisão do PPSP

Sua empresa precisa implantar ou atualizar o PPSP?

A Prevent Corp auxilia empresas da aviação civil na implantação, revisão e adequação do PPSP aos requisitos do RBAC 120, incluindo organização do programa, documentação e requisitos aplicáveis aos profissionais ARSO.

Estrutura do PPSP

Quais são os três subprogramas do PPSP?

O Programa de Prevenção do Risco Associado ao Uso Indevido de Substâncias Psicoativas (PPSP) é estruturado em três subprogramas complementares, cada um com uma função específica dentro do processo de prevenção e segurança operacional.

Estrutura do programa

O PPSP é formado pelo Subprograma de Educação, pelo Subprograma de Exames Toxicológicos de Substâncias Psicoativas e pelo Subprograma de Resposta a Evento Impeditivo.

01

Subprograma de Educação

Organiza as ações educacionais destinadas aos empregados ARSO e seus supervisores, fornecendo informações relacionadas ao uso indevido de substâncias psicoativas e às responsabilidades previstas no RBAC 120.

Também contempla

O treinamento específico dos Supervisores Treinados para Encaminhamento a ETSP nos casos em que houver suspeita justificada.

02

Subprograma de Exames Toxicológicos

Estabelece os procedimentos relacionados aos Exames Toxicológicos de Substâncias Psicoativas (ETSP), incluindo as situações em que os exames devem ser realizados.

Entre os principais temas

Tipos de ETSP, substâncias consideradas para testagem, procedimentos, documentação, confidencialidade e responsabilidades envolvidas.

03

Subprograma de Resposta a Evento Impeditivo

Define os procedimentos aplicáveis quando ocorre um evento impeditivo relacionado ao uso indevido de substâncias psicoativas por um profissional que desempenha atividade ARSO.

Objetivo

Estabelecer as medidas necessárias antes que o profissional possa retornar ao desempenho de uma atividade de risco à segurança operacional.

Os três trabalham em conjunto

Os subprogramas formam uma sequência complementar: educar e prevenir, realizar os exames previstos e responder adequadamente quando ocorre um evento impeditivo. Nos próximos blocos, vamos entender cada uma dessas etapas com mais detalhes.

Prevenção e capacitação

Subprograma de Educação

O Subprograma de Educação é a parte do PPSP voltada à informação, conscientização e capacitação dos empregados ARSO, de seus supervisores e dos profissionais que recebem atribuições específicas relacionadas ao encaminhamento para ETSP.

Em resumo

A empresa responsável deve desenvolver, elaborar e executar, internamente ou por contrato, um Subprograma de Educação que forneça aos empregados ARSO e seus supervisores informações sobre o uso indevido de substâncias psicoativas.

O objetivo do subprograma é garantir que os profissionais compreendam os riscos associados ao uso indevido de substâncias psicoativas, as regras previstas no RBAC 120 e os procedimentos que fazem parte do PPSP da empresa.

Para os empregados ARSO, essa educação deve ocorrer antes que o profissional passe a desempenhar uma Atividade de Risco à Segurança Operacional na Aviação Civil.

O conteúdo não se limita à existência dos exames toxicológicos. Ele também deve explicar quando os exames podem ser exigidos, como funcionam os procedimentos, quais são as consequências de determinadas situações e quais políticas a empresa adota em relação ao uso de substâncias psicoativas.

O RBAC 120 também prevê treinamento específico para os Supervisores Treinados para Encaminhamento a ETSP, que possuem uma atribuição diferente da educação geral destinada aos empregados ARSO.

Antes de exercer uma ARSO

O empregado ARSO deve receber a educação prevista antes de iniciar o desempenho da atividade.

5 anos para atualização

O regulamento estabelece atualização do programa, no mínimo, nesse intervalo.

2 modalidades presencial ou a distância

O treinamento pode ser desenvolvido em qualquer uma dessas modalidades.

Conteúdo educacional

O que o empregado ARSO precisa conhecer?

O material educacional deve abordar diferentes aspectos do PPSP e da prevenção ao uso indevido de substâncias psicoativas. Entre os principais temas estão:

ETSP: sua exigência, as situações em que pode ser requerido e os procedimentos relacionados ao exame.
Atividades ARSO: quais categorias de atividades estão abrangidas pelo programa.
Substâncias psicoativas: informações sobre as substâncias consideradas para testagem e medicamentos de uso restrito.
Política da empresa: regras relativas ao uso de substâncias psicoativas no ambiente de trabalho.
Recusa e resultado positivo: situações que caracterizam recusa ao ETSP e as consequências previstas.
Prevenção e resposta: evento impeditivo, efeitos do uso de substâncias, sinais e sintomas e possibilidades de tratamento.
Treinamento específico

E o Supervisor Treinado para Encaminhamento a ETSP?

Para esse profissional, o conteúdo deve incluir a identificação de indicadores físicos, comportamentais e de desempenho que permitam realizar observações específicas, atuais e articuladas para eventual encaminhamento de um empregado ARSO a exame toxicológico baseado em suspeita justificada. Esse treinamento será detalhado mais adiante neste guia.

Capacitação RBAC 120

Curso para empregados ARSO

Os profissionais que desempenham Atividades de Risco à Segurança Operacional na Aviação Civil precisam receber a educação prevista no PPSP antes de iniciar o desempenho de uma ARSO.

O treinamento

O Curso RBAC 120 para Funcionário ARSO é uma capacitação destinada aos profissionais que exercem atividades classificadas como ARSO, abordando os principais conceitos do regulamento, prevenção, substâncias psicoativas, exames toxicológicos e procedimentos aplicáveis ao empregado ARSO.

O treinamento faz parte das ações relacionadas ao Subprograma de Educação do PPSP e tem como objetivo preparar o empregado para compreender as regras e os procedimentos que se aplicam às atividades de risco à segurança operacional.

Durante a capacitação, o profissional conhece conceitos como RBAC 120, PPSP, empregado ARSO, substâncias psicoativas e exames toxicológicos, além das diferentes situações em que os procedimentos previstos pelo programa podem ser aplicados.

A Prevent Corp oferece um Curso RBAC 120 para Funcionário ARSO desenvolvido em formato online e estruturado para facilitar a capacitação tanto de profissionais individualmente quanto de equipes de empresas da aviação civil.

Para quem é o curso?

Profissionais que desempenham atividades ARSO

A necessidade de capacitação está relacionada à atividade efetivamente desempenhada. Pilotos, tripulantes, profissionais de manutenção, abastecimento, pátio, segurança, carga e outras funções podem estar abrangidos quando executam uma das atividades classificadas como ARSO pelo RBAC 120.

Outra capacitação prevista no programa

Além da educação destinada aos empregados ARSO, o RBAC 120 prevê treinamento específico para o Supervisor Treinado para Encaminhamento a ETSP. Esse é o tema do próximo bloco deste guia.

Capacitação específica

Treinamento de Supervisores para encaminhamento a ETSP

O RBAC 120 prevê uma capacitação específica para o Supervisor Treinado para Encaminhamento a ETSP, profissional que recebe a atribuição de avaliar situações de suspeita justificada e encaminhar empregados para a realização de Exame Toxicológico de Substâncias Psicoativas.

Em resumo

O Supervisor Treinado para Encaminhamento a ETSP é o supervisor que recebeu treinamento específico para identificar elementos que possam caracterizar uma suspeita justificada e, quando cabível, encaminhar o empregado ARSO para um ETSP.

Esse treinamento possui finalidade diferente da educação geral destinada aos empregados ARSO. O supervisor precisa estar preparado para reconhecer indicadores físicos, comportamentais e de desempenho que possam fundamentar uma suspeita.

A análise não pode ser baseada em impressão pessoal, boatos ou uma percepção isolada. A suspeita deve resultar de observações específicas, atuais e articuladas, que possam ser justificadas e documentadas.

Quando essas condições estiverem presentes, o Supervisor Treinado para Encaminhamento a ETSP poderá realizar o encaminhamento do empregado para um Exame Toxicológico de Substâncias Psicoativas baseado em suspeita justificada.

Por isso, a capacitação do supervisor tem papel importante tanto para a segurança operacional quanto para a correta aplicação dos procedimentos previstos no PPSP da empresa.

Importante

O supervisor não realiza o exame toxicológico

A atribuição do Supervisor Treinado para Encaminhamento a ETSP é identificar e fundamentar a suspeita e realizar o encaminhamento. O supervisor que determina a existência de suspeita justificada não deve realizar o ETSP no empregado.

01

Treinamento específico

A atribuição exige capacitação própria para o encaminhamento baseado em suspeita justificada.

02

Critérios objetivos

A avaliação deve considerar indicadores físicos, comportamentais e de desempenho.

03

Atualização periódica

O treinamento dos supervisores deve ser atualizado no mínimo a cada cinco anos.

Prevent Corp | Curso RBAC 120 Supervisor

Capacite seus supervisores para o encaminhamento a ETSP

O Curso RBAC 120 Supervisor da Prevent Corp prepara profissionais para compreender a função do Supervisor Treinado para Encaminhamento a ETSP, os procedimentos previstos no PPSP e os critérios relacionados à suspeita justificada.

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Próximo passo

O encaminhamento realizado pelo supervisor leva ao Exame Toxicológico de Substâncias Psicoativas — ETSP. No próximo bloco, vamos entender o que são esses exames e como eles se inserem no RBAC 120.

Subprograma de exames

Exames toxicológicos – ETSP

O Exame Toxicológico de Substâncias Psicoativas (ETSP) é um dos instrumentos previstos pelo RBAC 120 para verificar a presença de substâncias psicoativas no organismo de profissionais abrangidos pelo programa.

O que é ETSP?

O ETSP é o exame toxicológico destinado à detecção das substâncias psicoativas previstas pelo RBAC 120 e integra o Subprograma de Exames Toxicológicos de Substâncias Psicoativas do PPSP.

As empresas responsáveis abrangidas pelo regulamento devem submeter seus empregados ARSO aos ETSP de acordo com as condições aplicáveis previstas no programa.

O exame não funciona de maneira isolada. O PPSP precisa estabelecer os procedimentos utilizados para coleta, manuseio e armazenamento das amostras, realização dos exames e proteção da integridade de todo o processo.

Isso inclui a adoção de procedimentos de cadeia de custódia, que permitem preservar e documentar a integridade da amostra desde sua coleta até as etapas posteriores da análise.

O RBAC 120 também prevê a participação de um médico revisor, profissional designado pela empresa para desempenhar as funções específicas relacionadas à avaliação e comunicação de determinados resultados dos ETSP.

Procedimentos

Como o ETSP é estruturado dentro do PPSP?

O regulamento estabelece uma série de controles para que a realização do exame seja documentada e preserve a integridade das amostras e das informações envolvidas.

01

Consentimento

Para cada ETSP, a empresa deve requerer do empregado um termo de consentimento específico para o exame e para as movimentações previstas das amostras e informações.

02

Coleta e custódia

A coleta, o manuseio e o armazenamento precisam seguir procedimentos definidos, incluindo cadeia de custódia.

03

Análise

Os exames devem observar os procedimentos técnicos, matrizes biológicas e critérios estabelecidos no Subprograma de ETSP.

04

Revisão e resultado

O processo também envolve o médico revisor e as regras aplicáveis à avaliação, notificação e manutenção dos registros.

Proteção do empregado

O processo também possui regras de proteção e confidencialidade

O RBAC 120 estabelece procedimentos específicos para informações, registros e resultados relacionados aos ETSP.

Direito à informação

Antes da realização do exame, o empregado deve ser informado sobre o direito de recusa e sobre as consequências previstas para essa decisão.

Direito à contraprova

Em caso de resultado laboratorial positivo, deve ser garantido ao empregado o direito à análise de contraprova.

Confidencialidade

O acesso e a divulgação das informações relacionadas aos exames estão sujeitos às regras de confidencialidade previstas no programa.

Acesso aos registros

O empregado pode solicitar acesso e cópias dos registros relacionados aos ETSP aos quais foi submetido.

Atenção

Como regra, o empregado ARSO somente pode ser conduzido a um ETSP durante sua jornada de trabalho. A exceção é o ETSP prévio, realizado antes do início do desempenho da atividade ARSO nas situações previstas pelo regulamento.

Próximo ponto

O ETSP considera um conjunto específico de substâncias previsto no RBAC 120. A seguir, veremos quais substâncias são testadas.

Testagem no ETSP

Quais substâncias são testadas?

O RBAC 120 estabelece quais substâncias psicoativas devem ser consideradas nos Exames Toxicológicos de Substâncias Psicoativas (ETSP).

Resposta rápida

Em cada ETSP devem ser testados: álcool, metabólitos de opiáceos, metabólitos de canabinoides, metabólitos de cocaína e o grupo formado por anfetaminas, metanfetaminas, metilenodioximetanfetamina e metilenodioxianfetamina.

Substâncias consideradas para testagem

Cinco grupos previstos no ETSP

A relação não varia de acordo com o tipo de ETSP: as substâncias abaixo devem ser consideradas em cada exame.

01

Álcool

O álcool integra expressamente o conjunto de substâncias consideradas para testagem nos ETSP.

02

Metabólitos de opiáceos

O exame considera os metabólitos de opiáceos, conforme os critérios aplicáveis ao processo de testagem.

03

Metabólitos de canabinoides

Também fazem parte da testagem os metabólitos de canabinoides.

04

Metabólitos de cocaína

O ETSP inclui ainda a pesquisa de metabólitos de cocaína.

05

Anfetaminas, metanfetaminas, metilenodioximetanfetamina e metilenodioxianfetamina

O quinto grupo reúne anfetaminas, metanfetaminas, metilenodioximetanfetamina e metilenodioxianfetamina, que também integram obrigatoriamente a testagem prevista para o ETSP.

Importante

O tipo de ETSP não altera a relação de substâncias

Independentemente de se tratar de exame prévio, aleatório, pós-acidente, baseado em suspeita justificada ou outra modalidade prevista no regulamento, o ETSP deve considerar as substâncias estabelecidas para testagem.

Uma particularidade

E como é feita a testagem de álcool?

Para a substância álcool, o ETSP também pode ser realizado por meio de etilômetro, observados os requisitos aplicáveis ao equipamento e ao procedimento.

Entendendo a terminologia

Por que o regulamento fala em “metabólitos”?

Em alguns grupos, o RBAC 120 utiliza expressamente a expressão “metabólitos”. Por isso, nesta página mantemos a mesma terminologia empregada pelo regulamento, evitando simplificar a lista para apenas “opiáceos”, “canabinoides” ou “cocaína”.

Próximo ponto

Embora as substâncias consideradas sejam as mesmas, o RBAC 120 prevê diferentes tipos de ETSP, aplicáveis conforme a situação. É isso que veremos no próximo bloco.

Exames toxicológicos

Quais são os tipos de ETSP?

O RBAC 120 prevê seis tipos de Exame Toxicológico de Substâncias Psicoativas (ETSP), aplicáveis em situações diferentes ao longo da relação do empregado ARSO com a atividade de risco à segurança operacional.

Resposta rápida

Os seis tipos são: ETSP prévio, ETSP aleatório, ETSP pós-acidente, ETSP baseado em suspeita justificada, ETSP de retorno ao serviço e ETSP de acompanhamento.

As seis modalidades

Quando cada ETSP é utilizado?

Cada modalidade atende a uma situação específica. A aplicação dos requisitos deve considerar também a categoria da organização e as condições previstas no próprio RBAC 120.

01

ETSP prévio

É realizado antes que o profissional comece a desempenhar uma ARSO, inclusive em situações de contratação ou realocação de uma atividade que não era ARSO para uma atividade de risco.

Ponto importante

Quando exigido, a empresa deve receber resultado negativo antes de permitir o início do desempenho da ARSO.

02

ETSP aleatório

É realizado mediante processo de seleção isenta, imparcial e auditável, de modo que os empregados elegíveis tenham a mesma possibilidade de serem selecionados.

Como funciona

Os exames não devem ser previamente anunciados e suas datas devem ser distribuídas de forma não regular ao longo do ano.

03

ETSP pós-acidente

Pode ser exigido após acidente, incidente ou ocorrência de solo para empregados ARSO envolvidos, desde que existam condições adequadas para sua realização.

Segurança primeiro

A realização do ETSP não pode atrasar ou impedir atendimento médico necessário.

04

ETSP baseado em suspeita justificada

É realizado quando existe suspeita justificada de que o empregado esteja sob influência de substância psicoativa.

Quem avalia

A decisão deve ser fundamentada por um Supervisor Treinado para Encaminhamento a ETSP.

05

ETSP de retorno ao serviço

É realizado antes que uma pessoa volte a desempenhar uma ARSO após um evento impeditivo.

Para retornar à ARSO

O empregado precisa obter resultado negativo e cumprir as condições aplicáveis ao processo de retorno ao serviço.

06

ETSP de acompanhamento

É aplicado ao profissional que voltou a desempenhar uma ARSO depois de um retorno ao serviço decorrente de evento impeditivo.

Acompanhamento

Devem ser realizados, no mínimo, 6 ETSP nos primeiros 12 meses, conforme a programação estabelecida para o empregado.

ETSP pós-acidente

Existem limites de tempo para a realização

Entre as condições previstas para o ETSP pós-acidente, o regulamento estabelece limites máximos diferentes conforme a substância considerada.

8 h para exame de concentração de álcool
32 h para outras substâncias psicoativas
Atenção à aplicabilidade

Nem todas as modalidades se aplicam da mesma forma a todas as empresas

O RBAC 120 estabelece exceções e diferenças de aplicabilidade conforme o tipo de organização, sua operação e, em determinados casos, a quantidade de empregados ARSO. Por isso, a empresa deve verificar quais requisitos de ETSP se aplicam especificamente à sua operação.

Próximo ponto

Entre os seis tipos, um deles exige uma análise específica do comportamento e das condições observadas no empregado: o ETSP baseado em suspeita justificada. No próximo bloco, vamos entender exatamente o que é suspeita justificada.

Encaminhamento para ETSP

O que é suspeita justificada?

A suspeita justificada é um conceito importante do RBAC 120 porque pode fundamentar o encaminhamento de um empregado ARSO para um ETSP. Ela não pode decorrer apenas de impressão pessoal, suposição ou informação vaga.

Definição

Suspeita justificada é uma suspeita fundada em observações específicas, atuais e articuladas, justificadas por escrito, com base em indicadores físicos, comportamentais e de desempenho.

Isso significa que não basta que alguém simplesmente “ache” que um empregado possa estar sob influência de alguma substância psicoativa. É necessário existir um conjunto de observações concretas que permita fundamentar a decisão.

Essas observações precisam ser atuais, relacionadas à situação que está sendo analisada, e articuladas entre si. O supervisor deve avaliar o conjunto das informações, e não apenas um elemento isolado.

Além disso, a fundamentação precisa ser registrada por escrito, permitindo demonstrar quais elementos levaram ao encaminhamento do empregado para o exame.

A decisão de encaminhar o empregado ao ETSP baseado em suspeita justificada cabe ao Supervisor Treinado para Encaminhamento a ETSP, que deve ter recebido a capacitação específica prevista no Subprograma de Educação.

Base da observação

Quais indicadores podem fundamentar a análise?

O RBAC 120 organiza a análise em três categorias de indicadores. O treinamento do supervisor deve prepará-lo para reconhecer e articular esses elementos.

01

Indicadores físicos

Características físicas observáveis que possam ser relevantes para a avaliação realizada pelo supervisor.

02

Indicadores comportamentais

Alterações ou características de comportamento observadas na situação concreta e consideradas na análise do supervisor.

03

Indicadores de desempenho

Elementos relacionados ao desempenho do empregado que possam integrar o conjunto de observações consideradas na avaliação.

Atenção

O que, isoladamente, não caracteriza uma suspeita justificada?

Uma impressão pessoal sem elementos observáveis.
Uma suspeita vaga ou sem fundamentação.
Uma observação isolada sem articulação com outros elementos.
Uma decisão que não possa ser justificada e documentada.
Do fato observado ao exame

Como funciona o encaminhamento?

De forma simplificada, o processo parte das observações realizadas pelo supervisor e pode resultar no encaminhamento do empregado para um ETSP.

01 Observação

O supervisor identifica indicadores físicos, comportamentais ou de desempenho.

02 Avaliação

Os elementos são analisados de forma específica, atual e articulada.

03 Justificativa

A fundamentação da suspeita é registrada por escrito.

04 Encaminhamento

Havendo suspeita justificada, o empregado é encaminhado para o ETSP correspondente.

Um ponto importante do RBAC 120

A suspeita, sozinha, não substitui o ETSP

Na ausência de um ETSP, a empresa responsável não pode tomar medidas no âmbito do RBAC 120 exclusivamente com base na suspeita justificada. Além disso, o supervisor que determina a existência da suspeita não deve realizar o exame no empregado.

Próximo conceito

Um resultado positivo, uma recusa ao exame ou outras situações previstas no RBAC 120 podem gerar o chamado evento impeditivo. No próximo bloco, vamos entender o que esse conceito significa e quais são seus efeitos para o desempenho de uma ARSO.

Conceitos do RBAC 120

O que é evento impeditivo?

O evento impeditivo é uma situação definida pelo RBAC 120 que impede o profissional envolvido de continuar ou retornar ao desempenho de uma atividade ARSO até que sejam cumpridos os procedimentos previstos pelo programa.

Definição

Um evento impeditivo ocorre quando um indivíduo apresenta resultado positivo em um ETSP ou quando há recusa em submeter-se a um ETSP.

Quando ocorre?

Duas situações podem gerar um evento impeditivo

A definição é objetiva: o evento impeditivo está ligado ao resultado do exame ou à recusa em realizá-lo.

01

Resultado positivo em ETSP

O evento impeditivo ocorre quando o indivíduo apresenta um resultado positivo em Exame Toxicológico de Substâncias Psicoativas.

Resultado positivo

É o resultado que acusa concentração de substância psicoativa acima do valor de corte estabelecido e que tenha sido referendado pelo médico revisor.

02

Recusa em submeter-se ao ETSP

A recusa ao exame também caracteriza um evento impeditivo, mesmo sem a existência de um resultado laboratorial positivo.

Atenção

O conceito de recusa não se limita simplesmente a declarar que não deseja realizar o exame. Existem outras situações previstas pelo regulamento.

Entendendo a recusa

O que é considerado recusa ao ETSP?

Para fins do RBAC 120, a recusa pode ocorrer em mais de uma situação relacionada à realização do exame.

Não realizar uma etapa requerida

O indivíduo não se submete a qualquer etapa que seja necessária para a realização do ETSP.

Interferir na integridade da amostra

O indivíduo interfere ou tenta interferir na integridade da amostra corporal necessária ao exame.

Exceção importante: não é considerada recusa a situação em que o indivíduo, por razões médicas avaliadas por um médico revisor, não consiga fornecer a amostra corporal necessária para a realização do ETSP.
Consequência para a atividade ARSO

O empregado não pode simplesmente retornar à atividade

Após um evento impeditivo, o empregado envolvido não pode voltar a desempenhar uma ARSO até cumprir o processo previsto no Subprograma de Resposta a Evento Impeditivo e obter um resultado negativo em um ETSP de retorno ao serviço.

Depois do evento impeditivo

Como funciona o caminho para o retorno à ARSO?

O retorno não ocorre automaticamente após o afastamento. O RBAC 120 prevê um processo específico dentro do Subprograma de Resposta a Evento Impeditivo.

01 Evento impeditivo

Ocorre resultado positivo em ETSP ou recusa em submeter-se ao exame.

02 Avaliação pelo ESP

O profissional passa por uma avaliação abrangente realizada pelo especialista previsto no programa.

03 Cumprimento das recomendações

O ESP pode estabelecer ações e recomendações que precisam ser cumpridas antes do retorno.

04 ETSP de retorno ao serviço

Antes de voltar à ARSO, é necessário obter resultado negativo no exame de retorno ao serviço.

Não confunda os conceitos

Evento impeditivo não é o mesmo que evento de segurança operacional

No RBAC 120, evento impeditivo está relacionado especificamente a um resultado positivo em ETSP ou à recusa ao exame. Já um evento de segurança operacional pode envolver acidente, incidente, ocorrência de solo ou outras situações de risco. São conceitos diferentes.

Próximo ponto

Educação, exames toxicológicos e resposta a eventos impeditivos fazem parte de uma estrutura que precisa ser administrada pela organização. No próximo bloco veremos quais são as principais obrigações das empresas no RBAC 120.

Responsabilidades no RBAC 120

Obrigações das empresas

As organizações abrangidas pelo RBAC 120 não precisam apenas conhecer a norma. Elas devem implantar, executar, manter e fazer cumprir o PPSP na operação, envolvendo empregados ARSO, supervisores e, quando aplicável, empresas e profissionais contratados.

Em resumo

A empresa abrangida pelo RBAC 120 deve elaborar, executar e manter seu PPSP e seus subprogramas, submeter os profissionais abrangidos aos seus requisitos e manter uma estrutura capaz de demonstrar que o programa está efetivamente sendo cumprido.

Na prática

Quais são as principais responsabilidades?

O cumprimento do RBAC 120 envolve diferentes frentes. Entre as principais obrigações das organizações estão:

01

Elaborar, executar e manter o PPSP

A organização deve possuir um Programa de Prevenção do Risco Associado ao Uso Indevido de Substâncias Psicoativas e manter seus respectivos subprogramas efetivamente implementados.

02

Abranger empregados ARSO e supervisores

Cada empregado ARSO e seus supervisores devem ser submetidos aos requisitos aplicáveis do PPSP, incluindo educação, exames e demais procedimentos previstos pelo programa.

03

Controlar atividades terceirizadas

A responsabilidade também alcança profissionais de empresas contratadas direta ou indiretamente quando eles desempenham uma atividade classificada como ARSO.

04

Divulgar o PPSP

O programa deve ser amplamente divulgado aos empregados ARSO, inclusive às empresas e aos profissionais contratados para desempenhar atividades ARSO.

05

Designar um responsável pelo programa

A empresa deve eleger um representante designado para responder pela elaboração, execução e manutenção do PPSP e de todos os seus subprogramas.

06

Cumprir os procedimentos de ETSP

Quando aplicável, a empresa deve organizar e executar os Exames Toxicológicos de Substâncias Psicoativas de acordo com os tipos, procedimentos e condições previstos no PPSP.

07

Responder aos eventos impeditivos

Quando ocorrer um evento impeditivo, a organização deve aplicar o Subprograma de Resposta a Evento Impeditivo antes de permitir o retorno do empregado ao desempenho de uma ARSO.

08

Afastar empregados quando necessário

A empresa deve tomar as providências necessárias para afastar da atividade ARSO o profissional que descumpra as proibições previstas no RBAC 120, observadas também as regras da legislação brasileira.

Atenção às empresas contratadas

Terceirizar uma atividade ARSO não elimina a responsabilidade sobre o cumprimento do RBAC 120

Quando uma empresa contratada executa uma atividade ARSO, seus empregados e supervisores precisam estar abrangidos pelas regras do PPSP. O regulamento estabelece diferentes possibilidades conforme a forma e a duração da contratação.

PPSP da contratada ou contratante

Os profissionais podem estar submetidos ao próprio PPSP da contratada ou ao PPSP da empresa responsável, conforme as condições aplicáveis.

Contrato superior a um mês

Quando a duração do contrato for superior a um mês, a empresa responsável deve incluir obrigatoriamente o contratado em seu PPSP.

Contratação emergencial

Em determinadas situações emergenciais existe exceção, condicionada a avaliação de risco e à manutenção da documentação da contratação pelo prazo previsto.

Representante designado

A empresa precisa definir quem responde pelo PPSP

Toda empresa responsável deve eleger um representante designado para responder pela elaboração, execução e manutenção do PPSP e de todos os subprogramas associados.

O nome e os dados de contato desse profissional devem permanecer atualizados para fins internos e externos. Não é necessário enviá-los previamente à ANAC, mas as informações devem estar disponíveis quando solicitadas.

A empresa também precisa conseguir demonstrar o cumprimento

O PPSP deve produzir informações e registros verificáveis

A organização precisa manter sua estrutura documental organizada e ser capaz de fornecer as informações previstas no regulamento. A autoridade pode, por exemplo, solicitar relatórios consolidados com resultados do PPSP, incluindo dados agregados sobre empregados ARSO, ETSP realizados e resposta a eventos impeditivos.

Um ponto essencial

Cumprir o RBAC 120 não significa apenas possuir documentos

O PPSP precisa existir na prática: profissionais treinados, procedimentos aplicáveis, responsabilidades definidas, controle das empresas contratadas, exames quando exigidos e resposta adequada aos eventos previstos pelo programa.

Documentação do programa

E como a empresa demonstra a estrutura do seu PPSP?

Entre as obrigações documentais estão dois instrumentos importantes: o Manual do PPSP e a Declaração de Conformidade. É isso que veremos no próximo bloco.

Documentação do PPSP

Manual PPSP e Declaração de Conformidade

As empresas que precisam possuir seu próprio PPSP também devem manter dois documentos fundamentais: o Manual do PPSP e a Declaração de Conformidade com o RBAC 120. Eles possuem funções diferentes, mas trabalham em conjunto para demonstrar como o programa foi estruturado e como os requisitos do regulamento são cumpridos.

Em resumo

O Manual do PPSP descreve detalhadamente como o programa e seus subprogramas funcionam na empresa. Já a Declaração de Conformidade relaciona as seções e requisitos do RBAC 120 e indica como cada um deles é atendido pela organização.

Dois documentos, duas funções

Qual é a diferença entre eles?

Embora estejam diretamente relacionados, o Manual e a Declaração de Conformidade não são a mesma coisa.

01

Manual do PPSP

Explica como o programa funciona dentro da empresa.

O Manual deve apresentar uma descrição detalhada do PPSP e de seus subprogramas, incluindo os métodos específicos adotados pela organização para cumprir os requisitos.

  • Política adotada pela empresa em relação ao PPSP.
  • Responsabilidades das pessoas envolvidas na condução do programa.
  • Funcionamento do Subprograma de Educação.
  • Procedimentos relativos aos Exames Toxicológicos — ETSP.
  • Procedimentos para Resposta a Evento Impeditivo.
  • Métodos de cumprimento adotados pela empresa.
02

Declaração de Conformidade

Demonstra como cada requisito do RBAC 120 é atendido.

A Declaração de Conformidade deve conter uma listagem completa das seções e requisitos do RBAC 120, acompanhada do correspondente método de cumprimento adotado.

  • Identificação das seções e requisitos do regulamento.
  • Indicação do método utilizado para atender cada requisito aplicável.
  • Referência aos procedimentos previstos no Manual do PPSP, quando pertinente.
  • Identificação dos requisitos que não se aplicam à organização, quando for o caso.
  • Correspondência clara entre o regulamento e a prática adotada pela empresa.
  • Atualização sempre que houver mudanças que afetem a conformidade do programa.
Uma forma simples de entender

Manual e Declaração se complementam

Manual = “Como fazemos?”

Descreve os procedimentos, responsabilidades, políticas e métodos utilizados para colocar o PPSP em funcionamento.

Declaração = “Onde cumprimos?”

Relaciona os requisitos do RBAC 120 e demonstra de que maneira cada um deles é cumprido pela organização.

Organização da Declaração

A conformidade precisa ser rastreável

A estrutura deve permitir identificar rapidamente o requisito do RBAC 120 e o método utilizado pela empresa para demonstrar seu cumprimento.

Requisito
Aplicabilidade
Método de cumprimento
Seção do RBAC 120
Aplicável ou não aplicável
Procedimento adotado ou referência específica ao item correspondente do Manual do PPSP.
Documentos vivos

Manual e Declaração precisam permanecer atualizados

As informações contidas nesses documentos devem ser mantidas atualizadas para fins internos e externos da empresa. Além disso, o Manual do PPSP e a Declaração de Conformidade devem estar disponíveis para apresentação imediata quando solicitados pela ANAC.

Um erro a evitar

Não basta utilizar um documento genérico

O Manual e a Declaração precisam refletir a realidade da própria organização: suas atividades ARSO, estrutura, profissionais, fornecedores, procedimentos, subprogramas e métodos efetivamente utilizados para cumprir o RBAC 120.

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A Prevent Corp auxilia empresas da aviação civil na implantação e revisão do PPSP, incluindo a elaboração e atualização do Manual, da Declaração de Conformidade e da documentação relacionada aos requisitos do RBAC 120.

Manual do PPSP Declaração de Conformidade Revisão do programa Atualização documental
Para finalizar o guia

Ainda ficou alguma dúvida sobre o RBAC 120?

No próximo bloco reunimos as perguntas mais frequentes sobre RBAC 120, ARSO, PPSP, cursos e exames toxicológicos em respostas rápidas e objetivas.

Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes sobre RBAC 120

Reunimos respostas rápidas para algumas das principais dúvidas sobre RBAC 120, ARSO, PPSP, treinamento, exames toxicológicos e responsabilidades das empresas.

Clique sobre uma pergunta para abrir a resposta. Para informações mais detalhadas, os temas também estão explicados individualmente nos blocos anteriores deste guia.

O que é o RBAC 120?

O RBAC 120 é o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil que estabelece requisitos voltados à prevenção do risco associado ao uso indevido de substâncias psicoativas na aviação civil.

Suas regras alcançam especialmente profissionais que desempenham atividades capazes de afetar a segurança operacional.

O que significa ARSO?

ARSO significa Atividade de Risco à Segurança Operacional na Aviação Civil.

A sigla identifica uma atividade de risco, e não um cargo. O profissional que desempenha uma dessas atividades é denominado empregado ARSO.

Todo profissional que trabalha em aeroporto é empregado ARSO?

Não. A classificação depende da atividade efetivamente desempenhada e das condições estabelecidas pelo RBAC 120.

Portanto, trabalhar em aeroporto ou em uma empresa de aviação, por si só, não transforma automaticamente o profissional em empregado ARSO.

O que é PPSP?

PPSP significa Programa de Prevenção do Risco Associado ao Uso Indevido de Substâncias Psicoativas na Aviação Civil.

Ele organiza as medidas que a empresa deve adotar para prevenção, educação, realização dos exames previstos e resposta aos eventos impeditivos.

Quais são os três subprogramas do PPSP?

O PPSP é estruturado em três componentes: Subprograma de Educação, Subprograma de Exames Toxicológicos de Substâncias Psicoativas e Subprograma de Resposta a Evento Impeditivo.

O empregado ARSO precisa fazer treinamento antes de iniciar a atividade?

Sim. O empregado deve passar pelo programa de educação antes de desempenhar uma atividade ARSO.

O programa também possui atualização periódica, que deve ser fornecida, no mínimo, a cada cinco anos.

O treinamento RBAC 120 pode ser realizado a distância?

Sim. O treinamento previsto no Subprograma de Educação pode ser realizado presencialmente ou na modalidade a distância.

O que é um Supervisor Treinado para Encaminhamento a ETSP?

É o supervisor que recebeu treinamento específico para identificar elementos que possam caracterizar uma suspeita justificada e, quando cabível, encaminhar um empregado ARSO para realização de ETSP.

O supervisor não realiza o exame toxicológico. Sua função está relacionada à avaliação, fundamentação e encaminhamento.

O que é ETSP?

ETSP significa Exame Toxicológico de Substâncias Psicoativas.

Esses exames fazem parte do PPSP e são realizados nas situações previstas pelo RBAC 120.

Quais são os tipos de ETSP previstos no RBAC 120?

Existem seis modalidades: prévio, aleatório, pós-acidente, baseado em suspeita justificada, retorno ao serviço e acompanhamento.

A aplicação de cada modalidade depende da situação e dos requisitos aplicáveis à organização.

Quais substâncias são testadas no ETSP?

O ETSP considera álcool, metabólitos de opiáceos, metabólitos de canabinoides, metabólitos de cocaína e anfetaminas, metanfetaminas, MDMA e MDA.

O que é suspeita justificada?

É uma suspeita fundamentada em observações específicas, atuais e articuladas, justificadas por escrito e baseadas em indicadores físicos, comportamentais e de desempenho.

Uma impressão pessoal ou uma suspeita vaga, isoladamente, não caracteriza suspeita justificada.

O que é evento impeditivo?

O evento impeditivo ocorre quando o indivíduo apresenta resultado positivo em um ETSP ou quando há recusa em submeter-se ao exame.

Antes de retornar ao desempenho de uma ARSO, devem ser cumpridos os procedimentos aplicáveis previstos no Subprograma de Resposta a Evento Impeditivo.

Empresas terceirizadas também precisam cumprir o RBAC 120?

Profissionais de empresas contratadas também podem estar sujeitos aos requisitos do programa quando desempenham atividades classificadas como ARSO.

Dependendo da contratação, eles podem estar abrangidos pelo PPSP da própria contratada ou pelo PPSP da empresa responsável contratante.

O que é o Manual do PPSP?

O Manual do PPSP descreve como o programa funciona na organização, incluindo procedimentos, responsabilidades, políticas e métodos adotados para cumprimento dos requisitos aplicáveis.

O que é a Declaração de Conformidade com o RBAC 120?

A Declaração de Conformidade relaciona os requisitos do RBAC 120 e indica de que forma cada requisito aplicável é atendido pela empresa.

Ela funciona como uma estrutura de rastreabilidade entre o regulamento e os procedimentos adotados pela organização.

RBAC 120 na prática

O cumprimento da norma envolve pessoas, processos e documentação

Para uma empresa, estar adequada ao RBAC 120 significa integrar capacitação dos profissionais, PPSP, exames quando aplicáveis, procedimentos internos, controle documental e responsabilidades claramente definidas.

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01
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03
Empresas

Implantação e revisão do PPSP

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Implantação e revisão do programa Manual e documentação do PPSP
Falar sobre o PPSP
Fonte oficial

ANAC — RBAC 120 EMD 04

As informações apresentadas neste guia foram estruturadas com base no Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 120 — Emenda nº 04, publicado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que trata do Programa de Prevenção do Risco Associado ao Uso Indevido de Substâncias Psicoativas na Aviação Civil.

Norma: RBAC nº 120 Emenda: nº 04 Emissão: 15/02/2024 Vigência: 01/03/2024
Nota: este conteúdo possui caráter informativo e não substitui a consulta ao texto oficial do RBAC 120 e aos demais atos normativos aplicáveis publicados pela ANAC.